(27) 3722-2674

Como incluir despesas fixas no preço das mercadorias?

Publicado por Ramon Vago em 14/12/2015

Escrevo este texto como complemento ao texto “como calcular o preço de venda das mercadorias”, se você ainda não o leu, leia aqui.

O fato é que muita gente se esquece de incluir as despesas fixas no preço das mercadorias ou sequer adotam uma metodologia de cálculo e simplesmente se baseiam no valor de mercado. Sabemos que hoje o mercado é quem manda em relação aos preços, mas, ainda assim, se faz indispensável o controle dos custos e preços para a avaliação da rentabilidade da empresa.

Para chegar onde pretendemos, precisamos fazer primeiro uma breve introdução aos termos utilizados em custos:

Identificação de custos e despesas

CUSTO: A NPC 2 IBRACON, define custo como “a soma dos gastos incorridos e necessários para a aquisição, conversão e outros procedimentos necessários para trazer os estoques à sua condição e localização atuais, e compreende todos os gastos incorridos na sua aquisição ou produção, de modo a colocá-los em condições de serem vendidos, transformados, utilizados na elaboração de produtos ou na prestação de serviços que façam parte do objeto social da entidade, ou realizados de qualquer outra forma.”

Simplificando: no comércio, o custo compreende o preço de aquisição das mercadorias, incluindo os gastos que foram necessários para adquiri-las, como frete, seguro de carga e ICMS por substituição tributária (que devem ser rateados entre os produtos que compõem a nota fiscal de compra). Devem ser descontados do custo das mercadorias os impostos recuperáveis (se sua empresa está fora do Simples e aproveita crédito de algum imposto). Já na indústria, os custos são mais abrangentes, pois englobam todos os gastos necessários para produzir os produtos que serão comercializados (art. 290 do RIR/99).

DESPESA: Consideram-se despesas todos os gastos necessários à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, não computadas como custos.

Classificação dos custos e despesas

FIXO OU VARIÁVEL: Tanto os custos quanto as despesas podem ser fixos ou variáveis. Entende-se por fixos aqueles gastos que não variam diretamente com o volume de vendas/produção, e variáveis aqueles que variam diretamente com o volume de vendas/produção. Os custos e despesas fixos não são eternamente fixos, eles são aqueles que não se alteram diretamente em razão do volume de vendas.

Exemplos de custos e despesas do comércio

Custos variáveis: valor de aquisição das mercadorias, somado ao frete, seguro de compra, ICMS recolhido por substituição tributária e quaisquer outros acréscimos decorrentes da compra.

Despesas variáveis: comissões dos vendedores, taxas de cartão incidentes sobre as vendas, impostos sobre o faturamento (como o simples nacional), frete para entrega de mercadoria (quando pago pela empresa).

Despesas fixas: aluguel da loja, energia, água, telefone, taxas bancárias, IPTU, seguro da loja, manutenções, taxas de alvará, taxas de sindicatos e associações, honorários do contador e do advogado, matérias de escritório e de limpeza, propagandas, pró-labore, salários e encargos (exceto comissões).

Por que salários são despesas fixas? Considero, pessoalmente, que no Brasil os salários do comércio são despesas fixas, já que é necessário rateio para apropriá-los aos produtos e que eles possuem um valor mensal fixo, que não varia diretamente com o volume de vendas, sendo, portanto, variáveis apenas as comissões.

Em seu livro “Contabilidade de Custos”, o professor Eliseu Martins define a mão de obra direta da seguinte maneira: “Mão de obra direta é aquela relativa ao pessoal que trabalha diretamente sobre o produto em elaboração, desde que seja possível a mensuração do tempo despendido e a identificação de quem executou o trabalho, sem necessidade de qualquer apropriação indireta ou rateio. Se houver qualquer tipo de alocação por meio de estimativas ou divisões proporcionais, desaparece a característica de direta “.

Importante destacar que esse entendimento também está de acordo com o regulamento do imposto de renda (vide art. 289 e 290).

Método de rateio das despesas fixas.

Existem muitos métodos de rateio, mas o mais adequado para o comércio é o seguinte:

Fórmula: Total anual de despesas fixas ÷ total anual de vendas x 100. Obteremos, assim, o percentual médio de despesas fixas que incide sobre as vendas.

Onde coletar os valores necessários?

Você poderá obter as informações em seu software gerencial ou utilizar planilhas de controle de gastos mensais e controle de estoque, se for necessário.

E as empresas novas, o que devem fazer?

As empresas novas devem fazer uma projeção das despesas e das receitas, da melhor forma que conseguirem. Aliás, qualquer abertura de empresa deveria ser precedida por um estudo prévio, para verificação da viabilidade do negócio.

Como aplicar o percentual obtido?

Devemos adicionar o percentual de despesas fixas aos abatimentos que incidem sobre a venda, conforme explicado no outro texto. Mas, por razões de concorrência e estratégia de preços, pode-se atribuir a uma mercadoria um percentual menor, compensando em outra. Suponha que nosso resultado foi um gasto fixo de 20%, logo você poderá atribuir 15% a uma mercadoria e 25% a outra, se for necessário.

O normal é que os preços sejam revisados anualmente, mas, havendo aumentos expressivos dos custos durante o ano, você pode refazer os cálculos utilizando as informações mais atuais disponíveis (últimos 6 meses, por exemplo).

Obs. A classificação dos custos e despesas e suas formas de rateio dependem especificamente do segmento que está sendo analisado. Por essa razão, esta interpretação se aplica apenas ao comércio.

 

Leituras recomendas:

A importância de conhecer o custo da mão de obra

O impacto da substituição tributária no preço de venda

Como calcular o preço de venda a prazo

Como calcular o preço de venda das mercadorias

 

OBRIGADO PELA VISITA! AGUARDAMOS SEU CONTATO

Fone: (27) 3722-2674 | eMail: [email protected]







    Avenida Getúlio Vargas, 305, sala 205, Centro, CEP 29700-011 - Colatina/ES